17.8.05

1. Por onde começar essa história?

O usual é que se comece indicando aqueles autores e livros que inauguraram o movimento filosófico que queremos caracterizar. É isso que faremos, essencialmente, procurando situar os principais autores, suas idéias e seus textos. Mas não podemos esquecer um outro tipo de começo, que poderíamos chamar de ‘começo conceitual’. Ele diz respeito à forma como cada um de nós consegue responder perguntas como essas: como o filósofo procede? Qual o seu método de investigação? De onde o filósofo retira as considerações e afirmações que oferece para seu leitor? O que é que faz com que um livro de filosofia não seja apenas um piedoso livro de sabedoria? O ‘começo conceitual’ diz respeito ao modo como justificamos o discurso filosófico, ao modo como, em algum sentido, entendemos que ele pode ser apresentado como algo que se diferencia do discurso religioso ou científico ou artístico ou de auto-ajuda, etc. Esse tipo de começo conceitual é o que nos leva a perguntar: qual é o tipo de procedimento de investigação filosófica oferecido pela Filosofia da Linguagem Comum (doravante, FLC)? Qual é seu alcance? Quais seus pontos fracos e fortes?
Esse aspecto do ‘começo conceitual’, como se pode ver, parece ser inevitável para quem se ocupa com Filosofia. O praticante da Filosofia parece ser pressionado pelas perguntas sobre as razões de seus procedimentos conceituais. Quais são os métodos (ou procedimentos, etc.) filosóficos disponíveis para nós depois de séculos de filosofia? E o quanto eles podem ser caracterizados de forma precisa? Fala-se, ainda hoje, em métodos fenomenológico, hermenêutico, dialético, analítico, de análise e terapia conceitual, etc. Como nos orientamos nesse meio? Nosso primeiro passo será o de apresentar algumas caracterizações preliminares dessa expressão, “Filosofia da Linguagem Comum”.

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