17.8.05

10. Os primeiros textos oxfordianos: para uma fenomenologia lingüística

Os primeiros textos de filósofos de Oxford que apresentaram uma caracterização e defesa explícita dos procedimentos metodológicos da FLC são os de Gilbert Ryle, "Ordinary Language", de 1953 (há uma traducão nos Pensadores), e o de John Austin, "A Plea for Excuses", de 1956. É certo que nos primeiros trabalhos de John Austin, de antes da guerra "Agaton e Eudamonia na Ética de Aristóteles", de 1939, "Há conceitos a priori", também de 1939, e "O significado de uma palavra", de 1940, já encontramos algumas características da FLC. Há uma identificação desse núcleo inicial da FLC com Oxford, como se vê, por exemplo, nas atas do Colóquio de Royaumont. Isahiah Berlin, no artigo "Austin and the Early Beginnings of Oxford Philosophy", (depois eu vejo onde está publicado) diz que em algum momento por volta de 1936, um grupo de jovens filósofos e professores em Oxford começou a fazer reuniões semanais de debates, cujos temas eram usualmente sugeridos por J. L. Austin, líder do grupo até o início da Segunda Grande Guerra. Essas discussões levaram ao surgimento do rótulo "Oxford Analysis". Isso ocorreu como conseqüência de um procedimento de apelo ao uso lingüístico comum (common linguistic usage) que era feito pelos participantes das discussões.
Um dos primeiros ensaios que traz uma caracterização dos procedimentos metodológicos da filosofia da linguagem comum é o artigo de Austin, "Em Defesa das Desculpas". O ensaio, como diz o título, é uma defesa da importância do tema das desculpas no campo da ética. Austin defende que o exame de situações nas quais não podemos dizer simplesmente que alguém fez alguma coisa, isto é, que sua ação não foi livre (que ele pode ser desculpado), pode nos esclarecer (ao ponto de nos livrar) sobre temas importantes como o da Liberdade (PP, 180). A questão que desejo tocar aqui não diz respeito a essa ousadia austiniana, a saber, como seria possível nos livrar de tal problema. Em que consistiria tal exame, de que forma ele pode ser guiado pela linguagem comum? Isso pode ser discutido mais adiante. A fórmula usada por Austin, nesse momento, pode ser assim resumida: proceder metodologicamente em filosofia a partir da linguagem comum consiste em examinar o que diríamos quando (by examining what we should say when). (PP, 180) Nesse momento, ele reconhece que há uma certa popularidade de slogans acerca da linguagem comum, e faz uma advertência: "Em vista da prevalência do slogan 'linguagem comum'e de nomes tais como filosofia 'linguística' ou 'analítica' ou 'a análise da linguagem', há algo que precisa ser destacado para evitar malentendidos. Ao examinar o que deveríamos dizer quando, quais as palavras que usaríamos em quais situações, não estamos meramente considerando as palavras (ou os 'significados', o que quer que seja isso) mas também as realidades, para falar das quais usamos as palavras; estamos empregando uma percepção aguçada das palavras para aguçar nossa percepção, ainda que não como árbitros finais, dos fenômenos."

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