17.8.05

11. Fenomenologia lingüística?

Repare: Austin diz que o exame do que deveríamos dizer quando não consiste meramente na consideração de palavras, mas também da realidade. ("realities we use the words to talk about"). É nesse contexto que ele afirma que essa forma de fazer filosofia poderia ser chamada de "fenomenologia lingüística": "... penso que poderia ser melhor utilizar, para esta forma de fazer filosofia um nome menos desorientador que os dados acima, por exemplo, 'fenomenologia lingüística.'" Como se vê, Merleau-Ponty e Van Breda não estavam completamente equivocados quando perceberam algumas semelhanças entre o que faziam os continentais e os oxfordianos. Por desgraça, já por volta de 1958 estava em curso a completa desqualificação dos oxfordianos mediante uma longa lista de acusações, entre elas a de que esses filósofos desprezavam a metafísica, trivializavam a filosofia, promoviam a santificação da linguagem comum por meio de uma metodologia defeituosa, com uma defesa filistina do senso comum. Van Breda, um dos mentores do ataque, dizia que o objetivo da filosofia não era o de discutir a linguagem, e sim a realidade, a natureza das coisas; e que a FLC era uma espécie de defesa do senso comum, o que levava a uma posição conservadora, incompatível com a tradição da filosofia. Uma das principais objeções de Van Breda foi levantada em sua intervenção na conferência de Peter Strawson, "Analyse, Science et Métaphysique". Sua objeção foi a propósito da afirmação que Strawson faz no final da palestra, que "o uso lingüístico normal é o único, o ponto essencial de contato com a realidade daquilo que ele (o filósofo) quer compreender, a realidade conceitual; pois é o único ponto onde o verdadeiro modo de operação dos conceitos pode ser observado." (p. 118). Van Breda diz que para um fenomenólogo é "estritamente impensável dizer que o único e essencial ponto de contato com a realidade que o filósofo quer compreender seja o uso linguístico". O que os fenomenólogos querem compreender, insiste Van Breda, não é a realidade conceitual, mas sim "o mundo no qual vivemos, em toda sua complexidade". (p. 127)
O que você acha disso? O Padre Van Breda, na minha opinião, comporta-se como um adolescente.

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