17.8.05

12. Obituário da FLC (I)

A continuidade das críticas (e dos obituários) da FLC parecem ter liquidado com qualquer justificativa de avaliação da mesma. Segundo as opiniões correntes, tal investigação já estaria feita, e seus resultados poderiam ser agrupados nas respostas para três perguntas. A primeira: a filosofia da linguagem comum é uma metodologia de uso filosófico amplo? Os praticantes da FLC advertiram que a metodologia que adotavam era apenas um método, e que, por isso, não deveria ser aplicado, sem restrições, à qualquer tópico; ele seria adequado para temas nos quais a linguagem comum é rica em distinções; eles defenderam também que deveriam ser evitados os campos demasiadamente trilhados pela filosofia tradicional, "pois nesse caso até mesmo a 'linguagem comum' terá freqüentemente se contaminado com o jargão das teorias extintas, e também nossos preconceitos, como os defensores ou vítimas (imbibers) de opiniões teóricas, se introduzirão facilmente, e, muitas vezes de forma insensível." (Austin, ''Em Defesa das Desculpas") A segunda pergunta: em que medida a filosofia da linguagem comum pode ser uma defesa estreita do senso comum, das crenças comuns (entendidas como não-críticas)? Essa foi uma das críticas mais comuns, talvez inaugurada por Bertrand Russell. Este tema tem conexões com a filosofia de Wittgenstein, em Cambridge, e trataremos desse tópico mais adiante, em outro Arquivo. A terceira pergunta: em que medida a filosofia da linguagem comum, ao proceder o exame do que dizemos quando, pode ser confundida com algum tipo de estudo empírico, de cunho sociológico e lingüístico? A resposta a essa pergunta decidiria o que pode haver de genuinamente filosófico em tal metodologia. Seria o campo mais promissor para se caracterizar em que consistiu (ou consiste) e um tal movimento, e foi para ele que convergiram algumas atenções relevantes. Voltaremos a esse tema a partir dos textos de Stanley Cavell. Os discursos fúnebres feitos para a FLC acreditam ter respondido essas perguntas de forma definitiva; o que passa por julgado, como respostas a essas questões, é que a FLC é uma metodologia estreita, presa aos lugares comuns do senso comum, uma lingüística de cadeira de balanço.

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