18.8.05

17. Oxford e a reação ao idealismo

Alguns dos aspectos relevantes do que chamamos de FLC, na versão oxfordiana, iniciam no final do século XIX, no contexto de reação ao idealismo filosófico de Francis Herbert Bradley (1846-1924). Bradley foi o principal idealista absoluto na Inglaterra, aquele que mais exerceu influência hegeliana no final do século XIX. É possível dizer que a FLC tem mais de 100 anos de história. Mas é preciso reconhecer que nesses mais de 100 anos ela pouco se firmou. Não sei se isso é sinal de fracasso ou uma pequena grande tragédia da cultura filosófica. Quando faço essa estimativa de duração "de mais de 100 anos, embora pouco notados" estou pensando na importância da obra de um filósofo muito pouco lembrado, John Cook Wilson (1849-1915), um filósofo inglês que estudou com os grandes mestres de seu tempo, tanto na Inglaterra quanto na Alemanha (estudou com Lotze), e que foi formado na tradição do idealismo alemão. No entanto, Cook Wilson reagiu ao ambiente idealista que vigorava na Inglaterra, onde imperava uma versão do idealismo hegeliano, ao qual contrapôs o que poderia ser chamado de um tipo de "realismo direto" em teoria do conhecimento. Para resumir, Cook Wilson formou uma geração de filósofos em Oxford nessa mesma tradição, na qual se incluem H. W. B. Joseph e H. A. Prichard. O primeiro descreveu Cook Wilson como "de longe o mais influente professor de filosofia em Oxford." Seus alunos foram extremamente influentes e formaram a geração dos anos 20 e 30 em Oxford, fazendo desaparecer o Idealismo que ali havia sido regra. Entre os alunos, estavam W. Kneale, H. H. Price, Gilbert Ryle e, a partir dos anos 30, J. L. Austin, Isaiah Berlin, H. L. A. Hart e J. O. Urmson. Esses autores representam o que se chamou de "realismo oxfordiano", e é com eles que surge a filosofia ? como dizer: lingüística e analítica de Oxford.

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