18.8.05

18. John Cook Wilson (1849-1915)

Uma passagem de seu livro póstumo, Statement and Inference (Enunciado e Inferência), selecionada pelo editor, pode nos dar uma idéia das concepções de Cook Wilson sobre a questão do método filosófico:
"O que precisamos fazer, de forma intransigente, é nos esforçar para descobrir o que uma dada atividade do pensamento pressupõe como implícito ou explícito em nossa consciência, sem permitir que esses preciosos resultados tenham a interferência de qualquer opinião preconcebida. Este é o verdadeiro método, precisamos tentar chegar aos fatos da consciência e não permitir que eles sejam revestidos da forma como costuma acontecer com teorias pré-concebidas".
Segundo o mesmo apresentador, "os volumes de Statement and Inference estão assim repletos de análises delicadas dos "fatos da consciência", que são reminiscentes da psicologia descritiva da escola de Brentano. Gilbert Ryle, que se descrevia como tendo sido um "cookwilsoniano inquieto", acreditava que essas análises eram tão boas quanto quaisquer descrições vindas da escola fenomenológica de Husserl. O que mais nos importa aqui não é essa ligação de Cook Wilson com a fenomenologia. Veremos, mais adiante, que o tema se mantém em Wittgenstein e Austin. Cook Wilson acreditava, no que diz respeito à linguagem comum, que as distinções que nela podemos encontrar não podem ser negligenciadas sem riscos. Vale a pena ter presente essa passagem, na qual Cook Wilson defende a preeminência das distinções presentes na linguagem comum sobre aquelas feitas por alguns filósofos:
"A autoridade da linguagem frequentemente é esquecida na filosofia, com sérias conseqüências. As distinções feitas ou aplicadas na linguagem comum (ordinary language) estão mais para o certo do que para o errado. Elas se desenvolveram, por certo, naquilo que pode ser chamado de curso natural do pensamento, sob a influência da experiência e na apreensão das verdades particulares, ou ainda quer na vida cotidiana ou da ciência, e elas não decorrem de nenhuma teoria preconcebida. É dessa forma que as próprias formas gramaticais surgiram; elas não se devem a qualquer sistema, elas não são inventadas por ninguém. Elas foram desenvolvidas inconscientemente de acordo às distinções que viemos a apreender em nossa experiência. Por outro lado, o fato real é que uma distinção filosófica prima facie mais provavelmente pode estar errada, diante do que se chama de uma distinção popular, porque aquela está baseada em uma teoria filosófica que pode estar errada em seus primeiros princípios. Isto está tão longe de ser admitido que a opinião sustentada é a contrária, e há uma tendência para se ver a distinção lingüística como menos confiável porque ela é popular e não se deve ao pensamento reflexivo. A verdade é outra. O pensamento reflexivo tende a ser muito abstrato, enquanto que a experiência que fez surgir as distinções populares registradas na linguagem está sempre em contato com os fatos particulares."
Cook Wilson pode ser visto como sendo um precursor e originador da FLC? Para ver isso, pode-se comparar a passagem acima com o bem conhecido trecho de "Em favor das desculpas", de John Austin:
" ... nosso estoque partilhado de palavras incorpora todas as distinções que os homens consideraram conveniente fazer, e as conexões que eles consideraram conveniente estabelecer, durante as vidas de muitas gerações: é de se esperar que essas sejam mais numerosas, mais razoáveis, dado que suportaram o longo teste de sobrevivência do mais apto, e mais sutis, ao menos em todos os assuntos comuns e razoavelmente práticos, que quaisquer que você ou eu plausivelmente pensasse em nossas poltronas durante uma tarde ? o método alternativo mais favorecido."

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