30.8.05

24. Sócrates e o caminho das palavras

Uma das tarefas da disciplina consiste em reler um diálogo de Platão (sugiro textos como Teeteto, Eutífron, Laqués, Menon) e se perguntar pelo método ali seguido. No artigo "Em favor das desculpas" há a seguinte nota de rodapé, na seqüência do texto postado antes (23), no qual Austin fala sobre o que ele chama de "trabalho de campo" em filosofia. Seria um trabalho, diz ele, com avanços muito pequenos, feito sem recurso à leituras de Kant, Aristóteles ou Platão: "Aqui, finalmente, seríamos capazes de quebrar o gelo, nos soltar um pouco e ir em frente para chegar a um acordo sobre os descobrimentos, mesmo que pequenos, e nos colocar de acordo sobre como chegar a um acordo." E aqui ele insere a seguinte nota de rodapé: "Tudo isso foi visto e exigido por Sócrates, quando pela primeira vez ele se aplicou no caminho das palavras" (All of which was seen and claimed by Socrates, when he first betook himself to the way of Words.)
Hanfling, no livro já mencionado, (Oswald Hanfling, Philosophy and Ordinary Language, Routledge, 2000) discute a possibilidade de que Sócrates seja de fato o primeiro filósofo a trilhar o caminho das palavras. Ele termina por considerar plausível essa idéia, na medida em que algumas das investigacões de Platão podem ser consideradas como sendo investigacões sobre significados. Até mesmo certos procedimentos de Sócrates, diz ele, lembram diretamente aquilo que Wittgenstein chama de método de "reunir lembranças com uma finalidade determinada". Isso veremos mais adiante. Por ora fica a idéia, plausível, que o caminho das palavras foi inaugurado por .... Sócrates. Afinal, ele pouco tinha para ler, não?

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