31.8.05

26. O caminho das palavras no Menon: a crítica da definição ostensiva

No seu livro sobre Platão, Cornford escreve:
“Quando se lhe pediu que definisse virtude, Menon cometeu o mesmo erro que Teeteto, fornecendo-lhe uma lista de virtudes em lugar de uma definição da ‘forma única’ comum a todas elas. O exemplo que Sócrates dá de uma definição correta (‘figura’ significa ‘o limite de um sólido’) foi tomado, como ocorre também nesse diálogo, das Matemáticas.”
Deixando de lado a observação sobre o fascínio de Platão em relação às matemáticas (e tudo que decorre daí, etc...) veja que Cornford embarca na mesma canoa de todo mundo, dizendo que se trata de um erro. Bem, é certo que esse é o julgamento de Sócrates no diálogo em questão, mas é curioso que tenham se passado dois mil anos sem que ninguém se perguntasse se isso é mesmo um erro. Foi preciso esperar até Wittgenstein, ao que parece, para alguém reclamar disso. Está embutido nos diálogos uma critica às definições ostensivas. Mais, sobre isso, quando a gente estiver discutindo o Livro Azul.

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