19.9.05

40. O insulamento

“Hoje em dia, se um filósofo encontra dificuldade em responder a pergunta filosófica "O que é o tempo?" ou "O tempo é real?", ele pede uma bolsa de pesquisa para trabalhar no problema durante o próximo ano sabático. Ele não supõe que a chegada do próximo ano está de fato em dúvida. Alternativamente, ele pode concordar que qualquer perplexidade acerca da natureza do tempo, ou qualquer argumento para duvidar da realidade do tempo, é de fato uma perplexidade sobre, ou um argumento sobre, a verdade da proposição segundo a qual o próximo ano sabático vai chegar, mas mesmo assim alegar que isso é obviamente uma dificuldade estritamente teórica ou filosófica, não uma dificuldade que deva ser considerada na vida quotidiana. De um ou de outro modo ele insula seus juízos comuns de primeira ordem dos efeitos de seu filosofar.”

Este é o primeiro parágrafo do artigo do Prof. Myles Burnyeat, professor de filosofia em Oxford, "The Sceptic in His Place and Time", de 1984, publicado no livro Philosophy in History, editado por Rorty, Schneewind e Quentin Skinner. Burnyeat parece ter sido o primeiro a usar essa expressão, o insulamento, como ele mesmo diz, na frase que segue ao primeiro parágrafo: “A prática do insulamento, como continuarei a chamá-lo, pode ser entendida de várias formas”.

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