19.9.05

41. O insulamento é um fenômeno do nosso tempo?

Burnyeat defende o ponto de vista que o insulamento é “um fenômeno de nosso tempo. Esse sentimento de separação, algumas vezes até mesmo de estranhamento, dos temas filosóficos não é algo atemporal, intrínseco à própria natureza da filosofia. Trata-se de um produto da história da filosofia.” Dessa afirmação decorre outra, que diz respeito às diferenças entre o ceticismo moderno e o ceticismo dos filósofos antigos. Se eles desconheciam o insulamento, o ceticismo deles era de outra ordem, pois não estava protegido: “em primeiro lugar, quero estabelecer que houve um tempo no qual o ceticismo era um desafio sério e ninguém pensava em insulá-lo de afetar ou de ser afetado pelos juízos da vida comum”. (p. 227)
O tema é vasto. Para evitar conclusões apressadas, apresso-me a apresentar duas observações sobre o tema. Nós chegamos a esse tema, na DCG sobre Filosofia da Linguagem Comum, no contexto de uma discussão sobre as relações entre filosofia e vida cotidiana: como pensar essas relações? Como diria o próprio Cavell, muitos filósofos não gostam nem um pouco da idéia que aquilo que dizemos cotidianamente possa ter alguma influência direta sobre o que queremos dizer filosoficamente. O insulamento diz respeito a essas relações. Burnyeat, no entanto, quando diz que o insulamento é um fenômeno do nosso tempo, não inclui Descartes. Descartes entrou aqui como um exemplo de uso do argumento da ilusão. No caso de Descartes, Burnyeat expressamente diz que não acha que foi ele o inventor do insulamento. Entre outras fontes, ele nos convida a examinar a resposta de Descartes para Gassendi (“Respostas do Autor às Quintas Objeções Formuladas pelo Senhor Gassendi, [nos Pensadores]).

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