28.9.05

53. A Gramática Castellana

A primeira codificação gramatical de uma língua moderna é a Gramática Castellana, escrita por Elio Antonio de Nebrija, e publicada em 1942. Até então as gramáticas eram livros de natureza muito diferente, e dedicados apenas às línguas cultas, latim e grego. No ensino superior da Idade Média, para o Latim, eram usadas as Gramáticas Especulativas: de William de Conches, Petrus Heliae, no século XII; Robert Kilwardy, Michel Marbais, Siger de Courtrai ou Thomas von Erfurt no século XIII. “A gramática medieval partia da suposição que a razão impunha à linguagem determinados modos de expressão (os modi significandi) que as diversas línguas deviam respeitar acima dos aspectos diferenciais e particulares. Em conseqüência, as partes do discurso eram consideradas como modos de significação que deviam expressar os vários aspectos do ser e do pensamento: os modi essendi, estudados pela metafísica; os modi intelligendi, analisados pela lógica, e os modi significandi, explicados pela gramática. O resultado era uma gramática da linguagem, e não da língua.” (Da Introdução, p. 36)
Elio Nebrija abre um livro com uma longa dedicatória à “esclarecida princesa doña Isabel la tercera deste nombre Reina i senora natural de espanha i las islas de nuestro mar”, onde procura explicar para a Rainha as vantagens de seu trabalho, entre as quais se encontra dar as leis para os povos bárbaros que ela coloca em jugo.
Strawson recorre a essa gramática, quando fala sobre a noção de gramática filosófica:
“Quando a primeira gramática espanhola – ou castelhana, estritamente – foi apresentada para a Rainha Isabela de Castela, sua reação foi perguntar para que aquilo servia. A resposta em favor do gramático foi de natureza histórico-mundial, referindo-se à linguagem como um instrumento do império – e esse ponto não nos importa aqui. O que nos importa aqui é o ponto de sua pergunta. Pois, naturalmente, a gramática, em certo sentido, não tinha nenhuma utilidade para todos os falantes fluentes do castelhano. Em certo sentido eles já a sabiam. Eles falavam o Castelhano gramaticalmente correto o Castelhano gramaticalmente correto simplesmente era o que eles falavam. A gramática não estabelecia o padrão de correção para as sentenças que eles falavam; ao contrario, eram as sentenças que eles falavam que estabeleciam o padrão de correção para a gramática. No entanto, muito embora em um sentido eles conhecessem a gramática da língua deles, havia outro sentido no qual eles não a sabiam.” (Analysis and Metaphysics - An Introduction to Philosophy, Oxford, 1992. Há uma tradução para o portugues, publicada pela USP)

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