29.9.05

54. A Gramática Filosófica (II)

Eu disse que esse uso ampliado da expressão “gramática”, vinculado à filosofia, era comum. Vejamos as provas, com exceção das referências ao uso na Idade Média.
Em 1870 o Cardeal Newman (John Henri Cardinal Newman) publicou um livro com o título An Essay in aid of a Grammar of Assent (Longmans, Green, and Co., London and New York.)
Em 1892 Karl Pearson, publicou The Grammar of Science, que teve novas edições, sempre com acréscimos, em 1900, 1911, 1937. Em 1991 foi feita uma edição, pela Thoemes Press, que reproduziu a edição original de 1892. A “Gramática” de Pearson é uma ampla caracterização da ciência, de seu método, objeto, limites, principais conceitos, relação da ciência com a vida cotidiana, posição da ciência no contexto dos conhecimentos e práticas humanas. Uma das caracterizações da Gramática é particularmente interessante: “O primeiro ramo [das Ciências Abstratas que se ocupam de relações gerais de discriminações qualitativas] é chamado de Lógica, e discute as leis gerais mediante as quais identificamos e discriminamos as coisas, ou o que é frequentemente chamado as leis do pensamento. Uma parte fundamental da lógica é o estudo do uso correto da linguagem (the right use of language), a definição clara e, se necessário, a invenção de termos, - Ortologia. O objeto da presente Gramática tem sido principalmente mostrar como um desejo de definição clara levou às obscuridades metafísicas da ciência moderna”. (p. 454)
A noção de “gramática filosófica” foi apresentada por Bertrand Russell no livro The Principles of Mathematics, de 1903, no cap. IV, intitulado “Nomes Próprios, Adjetivos e Verbos”: “46. In the present chapter, certain questions are to be discussed belonging to what may be called philosophical grammar. The study of grammar, in my opinion, is capable of throwing far more light on philosophical questions than is commonly suposed by philosophers.”
Ao que parece, Wittgenstein, ao fazer uso de expressões como “gramática de uma expressão”, “gramática filosófica”, serviu-se de uma tradição.

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