12.10.05

58. A Lógica e a compreensão do que está diante de nossos olhos.

Nossas conversas sobre as Investigações podem começam por esse parágrafo:
“§89. Estas considerações nos levam ao ponto em que se coloca o problema: em que sentido a lógica é algo sublime?
Pois parecia pertencer-lhe uma profundidade especial – uma significação universal. Ela estaria, assim parece, na base de todas as coisas. Pois a consideração lógica investiga a essência de todas as coisas. Quer ver as coisas a fundo, e não deve preocupar-se com o isto ou aquilo do acontecimento concreto. – Ela não se origina de um interesse pelos fatos que acontecem na natureza nem da necessidade de apreender conexões causais. Mas se origina de um esforço para compreender o fundamento ou essência de tudo que pertence à experiência. Mas não que devêssemos descobrir com isso novos fatos: é muito mais essencial para nossa investigação não querer aprender com ela nada de novo. Queremos compreender algo que já esteja diante de nossos olhos. Pois parecemos, em algum sentido, não compreender isto.
Santo Agostinho (Confissões, XI/14): “Quid este ergo tempus? Si nemo ex me quaerat scio; si quaerenti explicare velim, nescio”. Isto não se poderia dizer de uma questão das ciências naturais (por exemplo, a questão de peso específico do hidrogênio). Aquilo que se sabe quando ninguém nos interroga, mas que não se sabe mais quando devemos explicar, é algo sobre o que se deve refletir. (E evidentemente algo sobre o que, por alguma razão, dificilmente se reflete.).

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