12.10.05

60. A natureza dos enunciados filosóficos

A controvérsia sobre a natureza dos enunciados filosóficos, por contraste com outros tipos de enunciados (por exemplo, os enunciados das ciências empíricas) parece ser um assunto tipicamente moderno cujo apogeu ocorre com a Crítica da Razão Pura de Kant. Antes, porém, Aristóteles tematizou a natureza da filosofia de forma explícita e genial, em especial na Metafísica. Ele parte do princípio que a metafísica não se confunde com as ciências particulares e o fato de refletir sobre o ser enquanto ser lhe confere um status completamente especial e privilegiado. O Livro Quarto é o lugar de honra dessa discussão, mas ela é inseparável do livro como um todo.
A especificidade dos procedimentos de investigação filosófica é discutida, em especial, no contexto da exposição sobre o princípio de não-contradição por via de refutação: basta que o adversário diga algo que tenha significado para ele e para outros (Metafísica, 1006 a 20). A tradição aristotélica, em certo sentido, não conseguiu dar conta de desafios e problemas surgidos no decorrer da história, em especial da crise das explicações finalistas no âmbito da experiência; o sistema aristotélico, devido a uma certa circularidade que o sustenta, foi aos poucos deixado na sombra (sobre isso, ver Ernst Cassirer, O Problema do Conhecimento, Vol. I, Introdução).

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