12.10.05

61. A pomba de Kant.


Kant começa a CRP discutindo a natureza do conhecimento humano, que, diz ele, começa com experiência mas nem todo ele se origina da experiência, pois é possível que exista em nós uma faculdade de conhecimento que forneça algo de si mesma. Todo conhecimento que depende da experiência é empírico ou a posteriori. E se houver um conhecimento independente de toda e qualquer experiência e dos sentidos, ele será chamado a priori. As características do conhecimento a priori são duas: necessidade e universalidade. Um caso típico desse conhecimento é a Matemática. Um outro exemplo é uma proposição como “toda mudança tem que ter uma causa”.
A razão humana, entre tantos empreendimentos, quer investigar problemas como o da existência de Deus, a natureza da liberdade, a possibilidade da imortalidade. Que tipo de conhecimento é praticado aqui? Quem costuma fazer essas investigações é a Metafísica. O problema é que esses temas ultrapassam o horizonte da experiência humana. Se faz necessário, antes dessa tarefa, que a razão faça uma investigação sobre si mesma, “um exame prévio da capacidade ou incapacidade da razão para um tão grande empreendimento”. Se a Matemática costuma ter sucesso em seus empreendimentos, isso não deve nos iludir em sonhos de ampliação irrestrita de nossos conhecimentos: “Enquanto no livre vôo fende o ar do qual sente a resistência, a leve pomba poderia representar-se ser ainda mais bem sucedida no espaço sem ar” (CRP, B9).

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