12.10.05

64. O conceito de “analítico”

Uma das razões pelas quais o tema do “analítico” surge aqui é o texto de Searle, Atos de Fala. No primeiro capítulo do livro ele procura reabilitar o conceito, em especial por causa das críticas de Quine, em "Dois Dogmas do Empirismo". Voltarei a esse ponto mais adiante.
Uma leitura introdutória sobre esse tema pode ser encontrada na Propedêutica Lógico-Semântica (PL-S)de Ernst Tugendhat e Ursula Wolf (Vozes, 1997), cap. 3. Sigo aqui algumas sugestões do livro. No caso dos juízos analíticos, “a verdade de um tal juízo resulta da análise do conceito-sujeito. Vê-se então que o conceito-sujeito já contém ‘encobertamente’ o conceito-predicado, assim, por exemplo o de corpo conteria o de extensão, ou, para mencionar um exemplo não-problemático: o juízo ‘todos os solteiros são não casados’ é analítico porque por ‘solteiro’ não se entende outra coisa senão ‘homens não casados’; nós podemos portanto substituir essa expressão, obtida por análise, por ‘solteiros’ e obter assim o enunciado ‘Todos os homens não casados são não casados’” (...). (PL-S, p. 32).
O conceito de conhecimento a priori e de juízos analíticos em Kant fazem parte da família das “verdades de razão” de Leibniz (na Monadologia, §35), cujo contraponto são as “verdades de fato”.

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