12.10.05

65. John Searle


Em Atos de Fala, 1.2., Searle enfrenta o desafio de justificar sua metodologia. Em seu trabalho ele nos fornecerá “caracterizações lingüísticas” e “explicações lingüísticas”. No primeiro caso, ele dirá que uma certa expressão é usada para referir, que tal frase é desprovida de sentido, ou que tal proposição é analítica. No segundo caso, ele vai nos oferecer algumas generalizações. Seu problema é nos convencer sobre a justeza do método que vai usar para fazer essas coisas: “Impõe-se naturalmente, agora, a questão de saber como sabemos que o que temos a dizer é verdadeiro”.
Aqui devemos lembrar um par de coisas. “Atos de Fala” é um livro publicado em 1969, mas cujo núcleo duro é a tese de doutoramento de Searle, de 1959. Suas idéias portanto foram desenvolvidas nos anos cincoenta, que foram marcados por duas coisas relevantes nesse caso: as críticas de Quine ao conceito de analiticidade e as críticas aos filósofos da linguagem comum; uma delas é de um colega seu, Benson Mates, que publicou em 1958 um artigo demolidor (Sobre a Verificação de proposições acerca da linguagem comum) sobre as possíveis confusões metodológicas entre autores como Ryle e Austin, próceres da filosofia da linguagem comum. A reação a esses ataques veio com um artigo de Stanley Cavell, ainda em 1958 (Must we mean what we say) e com o artigo de Hare, de 1960, ‘Philosophical Discoveries”.
Diante desse panorama, John Searle apresenta uma defesa do uso do conceito de “analítico”. As objeções de Quine estão baseadas em afirmações equivocadas sobre as “relações entre a nossa compreensão de uma noção e a nossa capacidade para fornecer critérios de um certo tipo para sua aplicação”. O tema é familiar. Vide abaixo as discussões sobre a falácia de Sócrates.

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