12.10.05

66. Como se “verificam” as caracterizações lingüísticas?

“Como sabemos sobre a linguagem as coisas que afirmamos saber?” Essa é a pergunta de tonelada de ouro. Qual é o fundamento (validade, razão de ser, justificação, explicação) das tais “caracterizações”? Como elas podem ser verificadas? Em que um filósofo se baseia, se ele não faz, por exemplo, estudos empíricos sobre o comportamento lingüístico das pessoas? “Como se pode saber essas coisas sem ter feito um estudo estatístico dos falantes para, então, descobrir como de fato eles usam as palavras? Enquanto não houver tal estudo, não serão essas discussões apenas especulações pré-científicas?”
Eis a resposta que Searle nos oferece:
“Para tentar responder a essas interrogações, gostaríamos de fazer e desenvolver a seguinte sugestão. Falar uma língua é adotar uma forma de comportamento regido por regras, sendo estas regras de uma grande complexidade. Aprender e dominar uma língua é (inter alia) aprender e dominar estas regras. Este é um ponto de vista familiar à filosofia e à lingüística, mas dele nem sempre se tiraram todas as conseqüências. A sua conseqüência, para a presente discussão, é que, quando falamos a nossa língua materna, fazemos caracterizações lingüísticas do tipo acima exemplificado, não estamos nos reportando ao comportamento de um grupo, mas estamos descrevendo aspectos do nosso domínio dessa capacidade regida por regras.” (p. 21)
Essa defesa metodológica feita por John Searle culmina com essa frase: “Assim, nesta era de metodologias extremamente sofisticadas, a metodologia deste livro deverá parecer ingenuamente simples. Somos um falante nativo de uma língua.” (p. 25)
O que chama a atenção aqui é que exatamente este mesmo argumento foi apresentado por Cavell em 1958, portanto, muito antes da publicação do livro de Searle. Searle não faz nenhum registro disso. É possível que Searle tenha desenvolvido o argumento antes? Afinal, seu livro deriva da tese apresentada por ele em 1959. Ocorre que a pergunta e as objeções que ele menciona sobre “verificação” de caracterizações lingüísticas são as mesmas apresentadas por Benson Mates em 1958. Quem não deu os créditos a quem nesse caso? Ou se trata apenas de coincidência?

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