20.10.05

67. Ainda as “caracterizações lingüísticas” de Searle

A discussão sobre a natureza das “caracterizações lingüísticas”, em Atos de Fala, de John Searle, vai na mesma direção dos artigo de R. M. Hare (Philosophical Discoveries, 1960) e de Stanley Cavell (Must we mean what we say, de 1958). Na verdade, desde o final dos anos quarenta e durante a década de cincoenta o debate sobre a validade das observações filosóficas feitas a partir de considerações sobre o funcionamento da linguagem comum ocupava um lugar de destaque na filosofia de fala inglesa. Uma das primeiras defesas foi a de Norman Malcolm, em 1942; o livro de Ryle, O Conceito da Mente (de 1949) foi um marco para a nova filosofia lingüística, pois mostrava uma capacidade de tratamento mais ambicioso de temas tradicionais da filosofia; o texto de Cavell foi uma das defesas mais elaboradas, mas no início dos anos sessenta o obituário da filosofia lingüística já estava escrito.
O texto de Hare, (que fazia a proposta da demitologização do Menon) insinua uma solução metodológica ao mesmo tempo tradicional e controversa. Seguindo o caminho aberto em 1958 por Stanley Cavell, Hare invoca o conceito kantiano de “sintético a priori” para dar conta da natureza dos enunciados sobre usos lingüísticos.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home

ISP
ISP