20.10.05

69. Kant e Wittgenstein

As possíveis relações de algumas idéias de Wittgenstein com Kant são assunto polêmico. A primeira edição de Insight and Illusion (de 1972), de P. M. S. Hacker está recheada de comparações positivas entre Kant e Wittgenstein, e segundo Hacker, “o sabor kantiano que marcou o Tractatus como uma obra de filosofia critica é preservado na obra posterior de Wittgenstein.” Na segunda edição, revisada, do mesmo livro, em 1986, o entusiasmo pela aproximação entre Kant e Wittgenstein diminui. Traduzo aqui a passagem sobre o sintético a priori:
“... há um desacordo profundo e ramificado entre Kant e os kantianos, de um lado e Wittgenstein, de outro, sobre a inteligibilidade da noção de proposições sintéticas a priori. Naturalmente, Wittgenstein concordou que a aritmética e a geometria não são analiticas ou a posteriori. Se ser sintética a priori fosse a alternativa residual, seríamos forcados a acomodar as concepções de Wittgenstein nas de Kant. Mas isso seria muito errado. Uma proposição sintética a priori para Kant era uma proposição que era verdadeira sobre o mundo empírico, mas que poderia ser conhecida independentemente da experiência. Ela era concebida como sendo uma verdade necessária sobre o mundo fenomenal, e o objetivo de Kant era mostrar que nós podemos conhecimento de tais verdades na medida em que elas são as condições de qualquer experiência (conceitualizada) possível. O que Kant pensava como sendo verdades sintéticas a priori sobre o mundo, Wittgenstein dizia que eram normas de representação.” (p. 207)

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