20.10.05

70. Ryle: uma defesa da linguagem comum

No artigo intitulado “Ordinary Language”, de 1953, Gilbert Ryle não faz uso de nenhum rótulo especial para caracterizar os procedimentos metodológicos que defende, mas o trecho em que discute a “voga da frase ‘a utilização da linguagem comum’” é intitulado “Filosofia e linguagem comum”. Todo o texto é uma caracterização e defesa da afirmação que a filosofia “tem alguma coisa a ver com a utilização das expressões”.
A primeira seção do artigo, intitulada “Comum” (Ordinary) discute a frase “a utilização (use) da linguagem comum”, em contraponto com a frase “uso (usage) lingüístico comum”. Utilizar a linguagem comum é algo que se diferencia de usar uma linguagem técnica, por exemplo. E o uso lingüístico comum se diferencia do uso não-canônico ou padrão. A diferença entre os dois casos é simples. Uma faca fabricada para cortar peixes (uso canônico) pode ser usada para cortar unhas (uso não-canônico). Os usos não-canônicos usualmente pedem contextos especiais. Nos debates filosóficos, frequentemente apela-se para a compreensão que temos dos usos canônicos das expressões, quer sejam elas comuns ou técnicas (por exemplo, “infinitesimais”). Os filósofos fazem estudos de alguns problemas nos quais ocorrem expressões que todos nós empregamos (causa, evidencia, conhecimento, erro, deve, pode, etc). Ora, em algum sentido podemos falar das “utilizações canônicas de expressões que todos nós empregamos”, e ali podemos ter um ponto de partida para desenredar os emaranhados lógicos que nos ocorrem.

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