20.10.05

73. Ryle e as falácias sobre a FLC

A quinta seção se intitula “Filosofia e linguagem comum” e se destina a esclarecer mal-entendidos sobre se a Filosofia da Linguagem Comum de fato se opõe ao uso de vocabulário técnico em Filosofia. Ryle explica que isso é um equívoco. Ele quer pacificar e não provocar. No entanto, não deixa de dizer que os termos técnicos, no campo da filosofia, não se comportam como o das demais disciplinas. Com exceção da lógica, os demais campos da filosofia não tem um vocabulário técnico estável como o do direito ou da química: o que dizer de expressões como cognição, sensação, qualidade secundaria, essência? Em que consiste um uso inadequado desses conceitos? Como o conceito supostamente técnico de “saber” se relaciona com o conceito cotidiano de “saber”? No cotidiano podemos dizer que alguém sabe algo quando não é assim? “Fomos obrigados a aprender na dura escola da vida diária como conjugar o verbo ‘saber’.” E o que ocorre com o lastro em cotidiano do jargão filosófico? Aqui Ryle não pacifica, ele simplesmente diz que os argumentos filosóficos que dependem de certos termos supostamente técnicos em filosofia simplesmente giram no vazio. (p. 55).
O segundo ponto na quinta seção é uma indicação do cenário filosófico no qual se insere a posição de Ryle. Ele está, evidentemente, ao lado daqueles que adotam o procedimento de “apelar para o que dizemos e não dizemos ou para o que podemos e não podemos dizer”; este grupo enfrenta a resistência dos formalizadores, daqueles que dizem que “as disputas filosóficas podem e devem ser resolvidas mediante a formalização das teses em conflito”; de um lado, “a linguagem comum”, de outro, a “linguagem notacional”.

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