1.11.05

82. As abstrações (I)

As dificuldades das posições objetivísticas são muitas. A primeira coisa que deve ser lembrada é que as palavras, isoladamente, não representam um lance no jogo da linguagem. No caso dos predicados (que para todos os efeitos aqui podem ser chamados de termos gerais), isso parece ser intuitivamente evidente. Quando temos um predicado, isoladamente, podemos ser tentados a dizer que ele representa uma idéia de algo ou essência de algo. Essa solução tem um inconveniente. Quem a oferece se compromete a responder a seguinte pergunta: a idéia, por sua vez, representa o quê? A tendência é dizer que a idéia é uma abstração que é produzida a partir da comparação de diversas coisas particulares, ficando-se com o que há de comum entre todas elas. Essa solução, por sua vez, tem outros inconvenientes, por exemplo, o de comprometer a pessoa a responder a seguinte pergunta: e como é que fazemos as abstrações? Nesse ponto costuma ser invocado algum tipo de faculdade ou poder de produzir abstrações (ou idéias), que normalmente é descrito como a ação mediante a qual a nossa mente pensa um objeto deixando de lado suas características singulares. Os antigos manuais de filosofia costumavam afirmar que a idéia geral resulta de uma operação, que se chama abstração. Eles afirmam que abstrair é considerar à parte, num todo complexo, os elementos que o compõem. Enquanto operação que produz a idéia geral, a abstração seria o ato pelo qual a inteligência pensa um objeto deixando de lado os caracteres singulares daquele objeto.

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