1.11.05

85. Holismo

Para nossas finalidades na presente disciplina, o mais importante é ressaltar o surgimento de um enfoque holista para a linguagem. O ponto de vista que havia se firmado na tradição dizia que o pensamento humano – e, em conseqüência, a linguagem - era essencialmente agregativo, isto é, era o resultado da reunião de coisas que tinham algum tipo de existência prévia ao próprio pensamento. Em Aristóteles, por exemplo, encontramos essa opinião de que o conceito era formado por abstração, e esse ponto de vista perdurou por muitos séculos. A formação de conceitos, através do mecanismo da abstração, era considerada a operação lógica fundamental. O juízo (uma afirmação) e o raciocínio, por sua vez, seriam realizados por meio da comparação direta ou indireta da abrangência desses conceitos. Essa tradição acreditava, de forma equivocada, que os conceitos são formados por abstração das coisas individuais, e que “os juízos expressam comparações de conceitos, assim como as inferências. Esta tradição trata os conceitos como se eles fossem inicialmente independentes dos juízos e entrassem neles de forma acidental.”
Essas descrições não nos proporcionam uma compreensão adequada das características do pensamento humano, pois seu ponto de partida é a crença de que primeiro devemos ter os conceitos para depois montar com eles os juízos, as afirmações.
Desde Kant pode-se dizer que surge e firma-se uma doutrina diferente, de tipo contextualista ou holista, na qual o todo tem prioridade sobre as partes. Essa doutrina é a da prioridade do juízo sobre o conceito. Ela procura mostrar a impossibilidade de se pensar que o conhecimento se faz pela agregação de partes pequenas e simples, ou de que o conhecimento começa com as impressões dos sentidos.
Frege pertence a essa tradição contextualista e ele chegou mesmo a ser identificado como o autor do que ficou conhecido como a “doutrina do contexto”. Para ele, a unidade mínima de significado é a sentença. Ele formulou assim esse princípio: “deve-se perguntar pelo significado das palavras no contexto da proposição, e não isoladamente.” Ou ainda: “Apenas no contexto de uma proposição as palavras significam algo.” Frege diz então que devemos começar com os juízos e seus conteúdos, e não com conceitos, pois os conceitos são formados a partir dos juízos. Você pode ler mais sobre isso no livro de Frege, Os Fundamentos da Aritmética, São Paulo, Abril Cultural, 1983, traduzido por Luís Henrique dos Santos, p. 202.

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