9.11.05

87. Sobre a função dos signos

O contraste que fizemos em aula sobre função dos signos foi entre a função representacional e a função caracterizadora. A definição tradicional (um algo que representa/está por outro algo, etc) funciona sem problemas para signos indexicais e icônicos e em todas as situações sígnicas de tipo referencial. Mas no caso da linguagem verbal humana, surgem situações que demandam a noção de símbolos que representam por simples convenção e que não possuem nenhum apoio referencial. Isso se mostra claramente no caso do uso de predicados. Predicados, como foi pensado pela Filosofia, são caracterizadores, e ficam fora de uma explicação que dependa da noção de representação de algo. Este tema é bem tratado no capítulo 12 das Lições Introdutórias sobre Filosofia Analítica da Linguagem, de Ernst Tugendhat, do qual transcrevo uma passagem:
“A concepção teórica objetivística não nega que os signos são usados, e usados para realizar uma função particular; isso é pressuposto como óbvio. E a única razão pela qual esta característica não é tematizada é que o filósofo objetivista simplesmente toma por estabelecido que a função do signo é a de estar por um objeto. Mas tão logo explicitamente retrocedemos deste passo, a função particular de estar por um objeto se mostra apenas como uma possibilidade entre outras. Naturalmente, o filósofo orientado objetivisticamente pode dizer que não podemos conceber nenhuma outra função para um signo senão aquela de estar por um objeto. Mas já vimos que, ao menos no caso especial dos predicados, não é difícil levá-lo a admitir que um predicado tem a função de caracterizar o objeto pelo qual um termo singular está. Naturalmente, ele tem que qualificar esta concessão, dizendo que ela é meramente uma função que o predicado também tem, e que ele pode apenas preenchê-la por meio de sua alegada função básica de estar por um objeto: ela caracteriza o objeto do termo sujeito da sentença, na medida em que está por um objeto - o atributo – que, por sua vez, caracteriza o objeto em um sentido primário. Mas com quais extraordinárias capacidades o filósofo tradicional pensa que é necessário dotar seus objetos! Não estamos incorrendo em mitologia se dizemos, de objetos, que eles caracterizam outros objetos? E isso eles devem realizar aderindo a outros objetos, sendo combinados com eles. Já apareceu, na crítica a Husserl, que a concepção do significado de uma sentença predicativa como composto ou - isso soa melhor - como uma "síntese" de dois objetos, não é realizável. Agora, conclui-se que mesmo que isso fosse possível, isso não poderia tornar inteligível a função de caracterização. Na realidade, a concepção teórica objetivística projetou, naquela estrutura que era a única acessível a ela, uma função que apenas é compreensível como uma função de signos.”

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