9.11.05

91. A Filosofia é “puramente descritiva”.

No Livro Azul existem muitas referências à natureza da Filosofia, nem sempre muito claras. Vejamos algumas, na primeira parte do livro:
“A filosofia, tal como usamos a palavra, é uma luta contra o fascínio que as formas de expressão exercem sobre nós.”
“A filosofia é na verdade ‘puramente descritiva’.”
“É um erro afirmar que em filosofia consideramos uma linguagem ideal em oposição à nossa linguagem comum. Pois isto faz parecer que nós pensamos que poderíamos melhorar a linguagem comum. Mas a linguagem comum está bem [For this makes it appear as though we thought we could improve on ordinary language. But ordinary language is all right]. Sempre que produzimos “linguagens ideais” não o fazemos para substituir a nossa linguagem comum por elas, mas apenas para eliminar alguns problemas que decorrem do fato de alguém pensar que entrou na posse do uso exato de uma palavra usual [common]. E também por esse motivo que o nosso método não consiste apenas na enumeração de usos efetivos de palavras, mas antes na invenção deliberada de novos usos, alguns dos quais por causa da sua aparência absurda.”
A idéia de lutar contra o fascínio de certas formas de expressão leva a uma concepção terapêutica da filosofia, como uma cura para doenças do entendimento. Hacker diz que Wittgenstein oscila entre caracterizações positivas e negativas da filosofia. No Livro Azul, um exemplo de caracterização positiva ocorre no início da segunda parte do livro, na comparação da filosofia como uma atividade de organização de nossas idéias com a atividade de organização de uma biblioteca: “Positivamente, a filosofia tem como objetivo colocar em ordem nossas idéias acerca do que pode ser dito sobre o mundo, ela é essencialmente uma reorganização de algo que já sabemos, como organizar os livros em uma biblioteca. O objetivo da filosofia é estabelecer uma ordem (não A ordem) em nosso conhecimento do uso da linguagem. (...) A mais geral e recorrente formulação positiva da tarefa da filosofia é a alegação que seu propósito é nos dar uma Ubersicht, uma visão panorâmica ou sinóptica.” (II, p. 151)

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